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CTGA DESENVOLVE PROJECTOS PIONEIROS PARA A ÁGUAS DO MONDEGO
01
Março

Foram entregues recentemente os projectos de duas ETAR à Aguas do Mondego – ETAR de Parada (Penacova) e ETAR de Vila Nova de Ceira (Góis) – que irão aplicar a tecnologia de lamas activadas com membranas submersíveis (Membrane Bio-Reactor – MBR), no tratamento das águas residuais urbanas.

A tecnologia de membranas teve o seu uso limitado no tratamento de águas residuais, em virtude dos seus elevados custos de investimento e exploração, bem como pela dificuldade e complexidade na operação. Entretanto, com os desenvolvimentos mais recentes, nomeadamente ao nível das membranas de microfiltração e ultrafiltração, tornou-se uma tecnologia mais competitiva, quer ao nível económico, quer ao nível técnico. Como principais valências, destacam-se a reduzida produção de lamas, a área exígua necessária e, evidentemente, a qualidade do efluente tratado obtido.

Os primeiros sistemas deste tipo surgiram nas décadas de 70 e 80, em países como os Estados Unidos, Canadá e Japão. Esta tecnologia de membranas para o tratamento de águas residuais chegou à Europa só em meados dos anos 90. Em Portugal, está a dar os primeiros passos, tendo como principal objectivo o reaproveitamento das águas residuais tratadas, nomeadamente na rega.

No âmbito da elaboração dos projectos, contemplou-se um esquema de tratamento inovador em Portugal que obedecesse, simultaneamente, aos pressupostos de base assumidos previamente e à legislação aplicável para a descarga destes efluentes no meio hídrico.

No que tange aos MBR, estes podem ser definidos como uma combinação de processos básicos – conversão biológica e separação por membrana – em que os sólidos em suspensão e os microrganismos responsáveis pela conversão biológica são separados da água tratada, mediante uma unidade de filtração por membrana, proporcionando, assim, uma retenção eficaz dos sólidos em suspensão e dos compostos solúveis presentes no reactor biológico.

Atendendo ao tipo de tecnologia e à sua própria capacidade de depuração, será expectável obter um efluente tratado com possibilidade de reutilização, nomeadamente na rega, contribuindo, assim, para a gestão do ciclo urbano da água e, consequentemente, para a sustentabilidade do uso dos recursos hídricos.