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Tecnologia de membranas pode impulsionar reutilização de águas residuais que está abaixo de 1% em Portugal
19
Novembro

O uso da tecnologia de membranas, que já atingiu uma fase de “maturidade”, pode ajudar a impulsionar a reutilização de águas residuais tratadas que, em Portugal, não chega a um por cento, de acordo com o PENSAR 2020 (Uma nova Estratégia para o Sector de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais), sublinhou esta manhã o técnico superior do Centro Tecnológico de Gestão Ambiental (CGTA), João Dinis, nas Jornadas Técnicas da CTGA, que decorrem esta quinta-feira no Hotel Vila Galé, em Coimbra.

Alguns países europeus, sobretudo da bacia do Mediterrâneo, apresentam já elevadas taxas de reutilização aproximando-se dos 100 por cento no caso de Israel e Chipre. Espanha, o país da União Europeia que reutiliza o maior volume de águas residuais, alcançou já uma taxa de 13 por cento devido à situação de escassez hídrica que enfrenta e deverá agravar-se também em território português.

O especialista falou sobre “a utilização de tecnologia de membranas para a reutilização de águas residuais” enquanto solução que se assume cada vez mais como uma “tecnologia de eleição” em projectos de reutilização de águas residuais.

O grande “óbice” da tecnologia, admite, é o elevado consumo energético. Ainda assim, segundo estudos de caso apresentados pela empresa, o custo de utilização de sistema de membranas, quando comparado com um sistema de lamas activadas, por exemplo, pode representar apenas um acréscimo de 0,5 euros por metro cúbico de água residual tratada.

No outro estudo de caso apresentado, comparando o sistema de osmose inversa com um sistema de membranas, o custo adicional por metro cúbico situa-se entre 0,22 e 0,33 euros.

A água residual só pode ser considerada resíduo quando é desperdiçada. O desafio é olhar para as ETAR (Estações de Tratamento de Águas Residuais) como água que pode ser valorizada”, sublinha João Dinis.

O técnico lembra que a reutilização das águas residuais está associada a dois grandes temas: a saúde pública e a aceitação pública pelo que é preciso desmistificar alguns conceitos. “Não há risco se as coisas forem bem feitas”, garantiu.

O presidente do Conselho de Administração da Águas do Centro Litoral, Cláudio de Jesus, considera que é preciso “sensibilizar os agentes económicos” para o uso de água tratada. “Não faz sentido devolvê-la à natureza quando podemos reutilizá-la”, frisou durante o debate.

O investigador coordenador do LNEC, Jaime Melo Baptista, considera que o facto de haver disponibilidade de água em Portugal não ajudou a impulsionar a reutilização de água residual tratada. Salientou no entanto que este é já um tema que se aborda há 40 anos em Portugal.

A água residual tratada pode ser aplicada para múltiplos fins, desde a irrigação, à recarga de aquíferos, indústria e até mesmo reutilização indirecta para potabilização.

Notícia retirada de ambienteonline.pt/canal/detalhe/portugal-reutiliza-menos-de-1-por-cento-de-aguas-residuais